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Encanto da lu(a)

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Quando senti o sangue Descendo por entre as coxas (lágrima que rola num adeus às bonecas) De crescente Tornei-me lua cheia... Meu corpo, suave barro expelindo essências modelado pelas mãos da suprema criação. Nos olhos, estrelas cadentes Nos lábios, néctar de flores No ventre, fértil magma Vulcão em erupção. Nas mãos, rosas vermelhas Regadas entre cinco espinhos. Quando senti o sangue rolando por entre as coxas De crescente Tornei-me lua cheia E a cada estação Irei te encantar...

Gravidez

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E foi naquela noite enluarada Que o gameta luz Fecundou as letras... Houve um trepidar de estrelas No vasto céu de minha boca. Aos poucos tudo silencia. Faço uma descoberta. Estou grávida! Grávida de POESIA!

UtopiAmor

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Eu desejo um amor que me enfureça Que me leve à loucura, êxtase profundo Que me faça mulher em chamas Que me tire o salto, desamarre os botões E apague meus queimores ao anoitecer Eu desejo um amor que me acalme Que me sacuda os ombros Que me faça companhia Que me diga boas verdades E que adormeça em meus braços até amanhecer. Eu desejo um amor que me ilumine Que seu sorriso me contamine Que encare a TPM como brinde Que me pegue no colo, rode, saltite e segure firme em minhas mãos até o sol nascer Eu desejo um amor que me encare Que olhe sempre em meus olhos Que não deixe que nada nos separe Que colha flores do campo e tulipas E floresça em meu caminho até envelhecer Eu desejo um amor que ame Que grite, que chore, que reclame Que cante, dance , lute sem tatame Que amanheça, que entardeça, que anoiteça. E que me ame pra sempre até morrer...

Meio-dia

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Meio-dia Choro. Sem motivo algum Nem por isso ou aquilo Choro porque choro Algo me sufoca o peito E dói-me a alma. Meio -dia Choro. O pranto sobe-me garganta acima Uma dor que não sei de onde vem Uma gastura Um destempero Simplesmente choro. Meio -dia Choro No céu o sol brilha voraz Mas não ilumina meus pensamentos No céu o sol impõe seu diadema dourado Mas não reina em minha dor fulgaz Dia claro, meio-dia, Mundo iluminado Sonhos esquecidos... Meio-dia Choro inteiro.

Luz

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Luz do sol Que penetra em mim traz sementes de cores Aquarela no horizonte Arco íris de cetim Luz que ilumina Luz que me irradia Luz que corre em oração Lua que brota de Deus Luz que floresce POESIA!

Dúvidas

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Dúvida, Quanta dúvida Pra falar sobre dúvida! Da vida, muita dúvida. Quem duvida Da falta de comida Da poluída bebida Da arte banida Da amizade colorida Da ferida dolorida? Quem duvida? Da dor admitida Da alegria comedida Da palavra que elucida Da tristeza enxerida Da verdade destemida? Quem duvida? Dúvida... Muita dúvida... Duvida???

Anoitece

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Pôr-de-sol, dia comum Caminho na areia da praia colhendo estrelas cadentes em meio a um oásis de sereias. Os céus tocam acordes de lua cheia Trombetas anunciam a chegada da noite. Piso em nuvens tempestuosas dançando valsa com os ventos. A lua reina majestosa sobre a noite que não tem fim. Anoitece em mim.

Revelação

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Diante dos olhos Súbito, claro Uma noticia Uma revelação. Suave semelhança? Mera coincidência? Crenças dissipam-se Máscaras caem Quem é você? Algo em mim partiu. Inverno...

Envenenado

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O veneno- homem mata Em suaves doses aperitivo um olhar uma palavra Soro antiofídico Nada! Uma idéia Uma atitude O veneno-homem mata Vacina a cada amanhecer...

Insônia

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Espero o sono chegar A noite adentra em mim cintilando estrelas no céu vôo, sinos, tempestades... Espero o sonho chegar em suaves nuances de negro luar Escuto a melodia do silêncio ecoando por entre os caminhos do vento Espero um poema chegar Uma palavra, um verso... Quem sabe caia de alguma estrela cadente ou surja na cores da brisa bem devagar ... Espero o sono Espero o sonho Versos alados Poesia cadente Espero a vida passar...

POETNIA

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Poesia navegante Portugal - Brasil Achamento. Selvagens. Mata. Bicho. Rio. Língua mátria Salve Caminha! Terra à vista Porto Seguro. Brasil. Terra rica, terra fértil Em se plantando tudo dá Cana-de-açúcar, café, ouro É natureza pra se fartar... Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá mas os indios foram cativos dos brancos do além-mar! Muita luta, catequese imposição de religião inúmeras tribos extintas em nome de Dom João . E veio a Mãe África com toda força e esplendor mãos doces de cana mães amargas de dor. Luta. Escravidão Quilombo dos Palmares Negros vistos como gente Poesia - Castro Alves! Meu Brasil Brasileiro Atabaques, bandolins Mãos negras, mães pardas Rosas,dálias, orquídeas, jasmins. Meu Brasil brasileiro José, João, Helena, Maria juntos numa mesma face. Brasil - Poetnia.

Sonho

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José Maré De palavras aladas Ondas poéticas Num mar sem fim Antonio antagônico anônimo Tonho (tris)tonho risonho um sonho recheado de poesia viva sonho de minhas noites perdidas Componho meus versos caminhando em teus olhos Disponho meu coração pra tua estrela brilhar em meu céu. Tonho sonho da Lu(a) de cristal.